
Começou hoje e termina no dia 30, a eleição para o Diretório Central dos Estudantes (DCE). Podem votar alunos de graduação e pós-graduação. São cinco as chapas concorrentes: 27 de outubro, Universidade em Movimento, Não vou me adaptar, Quem vem com tudo não cansa e Reação. Todas as chapas concordam em um ponto, o de que a representatividade do órgão esta cada vez mais baixa por falta de diálogo com os alunos e demais órgãos de representação dos estudantes de São Paulo e do interior. Nesta segunda, foram realizados 3 debates em horários diferentes, um ocorreu na Escola Politécnica, os demais no prédio do curso de História da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas e na Faculdade de Direito. Dos 16.379 alunos destas três unidades compareceram aos debates aproximadamente 700 alunos.
A deslegitimização do diretório como foi falado nos debates é fruto de gestões sem transparência e sem contato real com os estudantes. “No ano passado, o DCE perdeu o controle do que estava acontecendo, foram os alunos que levaram a mobilização para a frente” disseram os debatedores do USP em Movimento. Por meio do debate o que se pode perceber é que objetivo de todos os concorrentes, agora, é agregar pessoas, fortalecer o contato com os Centros Acadêmicos, além de realizar o XI Congresso da USP em que podem ocorrer discussões tanto sobre a universidade quanto sobre questões sociais.
Outras propostas para integrar os alunos às atividades do movimento estudantil são a continuidade das Assembleias (como instrumento deliberativo e de proposição de ideias) e o plebiscito que poderia auxiliar em questões como a permanência ou não da Polícia Militar nos campus. Quatro das cinco chapas são contrárias à permanência da polícia miltar na USP. Pelo menos duas defendem propostas alternativas de segurança no campus. E apenas uma, a chapa Reação diz que seus membros ainda não entraram em um consenso sobre a questão.
De todas as chapas que concorrem, a Reação é a única que se destaca por uma versão antagônica às outras chapas de como o diretório deve ser gerenciado. E é extremamente criticada pelos outros debatedores, uma vez que, tem suas preferências políticas pelo PSDB por trás de um pretenso apartidarismo. E para quem concorre ao DCE, esta seria uma possível estratégia para angariar votos e simpatias entre os estudantes que participaram do movimento de greve, mas defendiam um diretório apartidário.
Quando questionadas sobre a autonomia, todas foram unânimes em dizer que a escolha de seus membros não fere a independência político partidário que o DCE deve ter como órgão representativo de todos os alunos.
O grito de guerra “Fora Rodas” continua a existir como proposta entre as chapas. Entretanto, não há apenas como se discutir a retirada do Reitor sem propor alterações no Estatuto da Universidade, dizem os debatedores. E uma das principais mudanças, que dá para se depreender dos discursos, é a forma de se eleger o Reitor. Para todos, a eleição deve ser direta, democrática e não com base em uma lista tríplice de um órgão colegiado em que o governador pode se dignar a escolher o segundo ou terceiro da lista sem considerar os anseios de quem realmente faz parte da Universidade.
E para que haja mudanças, a estatuinte (reunião para rediscutir, reformular e votar um novo Estatuto para a USP) deve ser convocada e suas decisões devem ser soberanas. A questão mais debatida dentro desta temática foi a forma de participação de alunos, funcionários e professores. Enquanto a chapa reação propunha a ideia de um homem equivaler a um voto, a chapa USP em movimento pedia por maior peso sobre o voto de alunos, sendo proporcional à quantidade de estudantes da Universidade. As demais pediram pela paridade entre as três categorias.
Questões como cotas, machismo e homofobia também tiveram seu destaque. Novamente na contramão dos acontecimentos, a chapa Reação defendeu que as cotas deveriam acabar. Um de seus debatedores disse que as cotas não resolvem o problema da educação de base e que também não promove equiparação educacional ou social. Quanto à questão da mulher e homofobia na USP, todas as chapas foram unânimes em falar sobre a importância de se discutir sobre o tema preconceito de gênero que acontece dentro e fora da USP. A chapa “27 de outubro” mencionou a necessidade de combater os trotes violentos que fazem as mulheres passarem por situações humilhantes.
O destaque, entretanto, não foi para qualquer uma das chapas, mas para o morador de rua Bezerra, velho conhecido dos São Franciscanos que aos brados, dizendo ser representante do povo disse que
o papel dos estudantes ali presentes era, antes de mais nada, reformar o ser humano, a sociedade.
* as informações sobre o número de estudantes das unidades foram retiradas do anuário da USP