É engraçado pensar que com a vida corrida, com todos os afazeres, a dificuldade em se descobrir mulher seja um mal de muitas de nós.
Não estou falando do fato de se arrumar, passar um rímel ou um batom, nem muito menos de namoros.
Falo da falta de reflexão quanto ao que fazemos no cotidiano, como pensamos nossas vidas, em geral, arraigadas de valores sociais que, nem sequer, um dia, paramos para verificar a veracidade ou a plausibilidade.
E muito do que vemos no dia-a-dia são questões que envolvem estes valores.
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Estou escrevendo para o meu primeiro "artigo jornalístico", um jornal laboratório da faculdade, como não consegui comparecer à aula para distribuição de editoriais, fiquei incumbida para fazer a revista interna com temática infantil. A decisão para que eu participasse desta editoria foi tomada pelos meus colegas, motivação: Ela dá aula para crianças e tem filho.
Adorei ficar na seção, assim como adoraria qualquer outra designação dentro do jornal, quero mais é aprender, porém o motivo me parece a manifestação dos valores sociais que nem percebemos, mas temos.
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A sociedade ainda gera mulheres que, quando mães, devem se esquecer que são mulheres, pessoas, a única incumbência delas é providenciar a educação da nova leva de pupilos do "futuro da nação".
Então quem somos nós, não existencialmente falando, mas socialmente? Que diferença fazemos de fato como indivíduos? O nosso papel é transformar a sociedade apenas sob o aspecto da educação de nossos filhos?
Às vezes, sinto-me menor do que um vegetal, com tanta publicidade sobre questões do meio ambiente, da necessidade de preservação de biomas, sustentabilidade da produção, e preservação para o futuro, eu me questiono se eu, você ou outras mulheres também não deveríamos ser tratadas de uma maneira mais carinhosa, como um questão deveras relevante.
Afinal, se formos sempre valoradas de acordo com os valores sexistas, só poderemos retransmití-los, afinal, ninguém é capaz de passar adiante aquilo que não experienciou.
Uma revolução é uma volta numa roda...
ResponderExcluirA revolução é um passo a frente destas questões levantadas, sempre por nós, pelos que contestam atrás de respostas e soluções!
ResponderExcluirA dura realidade da existência humana!
Provos Brasil de passagem...
Bem, eu não sou feminista, mas concordo com o que foi posto no seu texto (por sinal, muitíssimo bem escrito). A mulher se limita, ou melhor, a sociedade limita a mulher, tomando um quesito como o todo: se você tem um filho, você SÓ pode ser mãe, se você é negra, você só pode ser faxineira, se você é bonita, só pode ser puta, e por aí vai.
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