Algumas vezes, nos damos conta de quanto algo fez efeito apenas quando passamos a avaliá-las no conjunto de valores que trazemos em nossas vidas.
Não sou de família que militou politicamente na época da ditadura e nem conto com algum grau de parentesco remoto que seja com alguém que tenha sido perseguido por suas ideias e ideiais.
Entretanto, o resultado de tantas atitudes insensatas é uma neurose coletiva daqueles que viveram esta época, mesmo que não tenham contribuído com sua intelectualidade para contestar ou protestar.
Pessoas que simplesmente cresceram sob o medo e que posteriormente passaram por meio da educação a seus filhos a mesma vida e regras autoritárias que tanto temiam.
Não digo aqui, somente o fato de até 1985, cantarmos o hino nacional em voz alta no pátio da escola, falo sobre o direcionamento imposto em valores que não foram questionados quando me foram transmitidos porque a crítica era algo a ser punido, simplesmente, nos mesmos moldes dos que desobedecem às regras de um general.
Assim, embora não tenha nem idade para ter vivido a mais alta loucura que foi o período mais árduo e opressivo que se seguiu ao golpe de 1964, ainda sim, considero-me como filha da ditadura, pela opressão que foi deixada como legado em minha educação.
Na mesma linha da Sociedade dos Peoetas Mortos me restam as palavras: Sim, senhor! Meu capitão!
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